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Tchê Barbaridade:
Majestade no Pampa, de Marcelo Noms
e Dionísio C. Costa

 

22/08/2006 20:56:50
CARNEADOR
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Antonio Francisco de Paula

 

No armazém do Teodorico,

num costado de potreiro,

era tarde de janeiro

já quase findando o dia,

conheci o Malaquia,

índio mulato retaco

levando em mala de saco

seus ferros de serventia.

 

Machadinha, serra, canivete,

a chaira, adaga, punhal,

mais um sovado avental

de estopa já esfarrapado,

encardido, ensangüentado

das lidas de carneadas

que fazia nas charqueadas,

no arredor dos povoados.

 

Debruçado no balcão,

chapéu batido na copa,

de lenço, bombacha e bota,

a guaiaca na cintura,

golpeava uns tragos de pura

entreverado com a peonada,

nos causos dando risada

das festanças e aventuras.

 

Até parece que estou vendo

o Malaquia com a faca,

joelho em riba de uma vaca

na sombra do velho ipê,

ligeirito como quê,

lonqueando sem retalhar

só a carne destrinchar

pra o bolicheiro vender.

 

Estaquear e atar o couro

num galho grosso e torcido,

ouvindo perto o latido

da Diana companheira,

cadela preta campeira

que corria sem estorvo

repontando longe os corvos

da beirada da mangueira.

 

Num prisco fazendo fogo

com ramos de cambará,

botando a costela a assar

na quentura do braseiro,

mui alegre e hospitaleiro

tratando da gurizada,

rindo e fazendo caçoada

sentado sobre um baixeiro.

 

Gaudério meio teatino

não tinha casa nem rancho,

vivia que nem carancho

com a lapiana sempre afiada,

e onde tivesse carneada

apeava, e ia ficando,

sangrando e dependurado,

cuidando da barrigada.

 

Assim levava sua vida

andando de estância em estância,

farejando as matanças

por aquelas redondezas,

praticando com destreza

o ofício que Deus lhe deu,

a profissão que aprendeu

na escola da natureza!

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  Autor: Antônio Francisco de Paula
Poesia enviada Por: Antônio Francisco de Paula - Brasília / DF
  Observações: A poesia Carneador está publicada no Livro "Meu Avô, Meu Mestre - poesias gauchescas", do poeta e declamador Antônio Francisdo de Paula.

 
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11/08/2009 09:55:23 Antonio Francisco de Paula - Brasília-DF / DF - Brasil
Mas bá, guri! Estou com muitas saudades das nossas pescarias, dos bailes de rancho, onde a gente se tapava de marimbondo. Abraços no Camilo Borges e em toda a indiada largada desse torrão abençoado. Fiquei surpreso e muito contente por Gracianinho ter lembrado de mim!
Sítio: *****
09/08/2009 02:32:56 Graciano Lopes - Itapeva / SP - Brasil
Esse tal de Malaquia gostava muito desse ofício, que hoje não é muito reconhecido. Esse amava a profissão! Linda poesia! Um abraço do Graciano, seu conterrâneo da Caputera.
Sítio: *****
04/06/2007 14:11:29 Adelmo Macxhado - Concordia / SC - Brasil
Gostaria de receber algumas poezias, como carneador. e tantas outras. algumas musicas tambem, ja recebi amusica mulher gaucha é Linda, gostaria de ser atendido. sou radialista eu tenho meu estudio proprio na radio aliança de concordia espero ser a tendido. ficarei muito grato irei tocar seus sucessos no meu programa.o brigado
Sítio: Bairo Catarina Rua Tupiz nº 112
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