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Pedro Ortaça:
De Guerreiro a Payador, de Vaine Darde e Pedro Ortaça

 

27/06/2006 10:42:19
TEMPO DE VIVER
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Um dia, 
Eu teria talvez uns vinte anos, 
Tomei coragem e encilhei o pingo 
Pra campear a sorte em outros pagos. 
 
Juntei as pilchas 
Como quem apaga marcas de um mapa 
Riscado nas cinzas, 
Traçando rumos já sem importância. 
Calcei esporas 
De cabeça baixa, 
Rememorando outras alvoradas, 
De domas, de rodeios, de tropeadas. 
 
Tirei palavras 
Como quem aparta 
O melhor que sobrou ao fim do inverno, 
E aos velhos eu falei determinado: 
Era a minha sorte, 
O meu destino 
Que lá estava a esperar no fim da Estrada! 
Necessitava andar, 
Seguir os ventos, 
Ser essas nuvens que passam sem pressa 
Sombreando as várzeas, 
Espiando os açudes 
Nas tardes preguiçosas de sol quente. 
 
Alguns, nascem pra umbu, 
Cravam raízes 
E morrem dando sombra ao mesmo cerro. 
Mas eu tinha nas veias sangue andejo 
em vez da seiva fria desses troncos. 
 
Depois, 
Como saber de sentimentos 
Quem não oculta a bruma das ausências 
E as distancias não turvam o olhar? 
Vinte anos 
A vida em florescência! 
Tempo de descobrir mais de mim mesmo; 
De não olhar atrás 
Pois os recuerdos cabem até 
Na mala - de - garupa 
Que nem avulta embaixo dos pelegos. 
 
A tristeza dos velhos 
Por instantes 
Foi a nuvem de chuva contra o sol 
Que despontava na manhã serena. 
 
Mas não foi suficiente para conter 
O vôo da torcassa 
Que em meu peito 
Aleteava com olhos no horizonte. 
 
Deus te abençoe! 
Ouvi por despedida 
Enquanto dei rédeas, sem olhar... 
 
Deixei pra trás o rancho 
E a minha infância 
E encilhei o destino pra domar. 
 
Quanto tempo passou? 
Talvez nem saiba. 
 
Como medir o tempo? 
Pelos anos? 
Pelas tristezas, pelas alegrias? 
Os pingos que encilhei? 
Os desenganos? 
Pelos amores, 
Que desvendaram e deram sentido 
A essa razão maior de haver nascido 
E de viver... e entender a vida? 
 
Ou pelos filhos 
Que embalei ao colo 
Tarareando acalantos já esquecidos! 
 
Talvez o tempo não possa ser medido. 
 
Tempo é para viver 
E ser vivido; 
E a medida 
É o que se faz na vida. 
 
Por isso o tempo é sempre dividido. 
Há tempo de brincar 
De faz de conta; 
Há tempo de plantar e de colher, 
Tempo de florescer, tempo de amar; 
Há tempo de sorrir 
E de chorar... 
Ou será apenas tempo de viver? 
 
Viver, 
Sonhar a vida que se quer! 
 
Fui peregrino 
A procurar sem trégua 
Onde estaria escrito meu destino, 
Onde me levaria a estrada real. 
 
Andei, andei 
Pisando descaminhos, 
Sem nunca sofrenar ou dar de rédeas 
Aos desenganos que tocou cinchar. 
Quando se sai sem prazo de regresso 
Melhor se esqueceR 
O que ficou pra trás. 
 
E o tempo, 
Que é tão lerdo pra um moço 
E parece Que nunca vai passar 
O tempo corre mais em nossa ausência 
Foi apagando minhas referências 
E hoje 
É tarde demais pra voltar!
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  Autor: Colmar Pereira Duarte
Poesia enviada Por: Beatriz Barbará - Porto Alegre / RS
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